Eles não sabem, nem nunca saberão o que é amar um clube. Não sabem o que é correr o País (e o País dos outros) com o clube, onde quer que vá, como quer que esteja o tempo, em que meio de transporte se consiga arranjar. Eles não sabem nem sentem o peso do emblema, nem carregam a "cruz" de ser um adepto dum clube que não pertence ao "sistema" dos grandes. Eles não sabem… Eles não sabem, nem sonham que contamos os cêntimos para poder pagar quotas, bilhetes, deslocações, etc. Eles não sabem quantas vezes comemos sandes para o dinheiro dar para tudo. Eles não sabem que muitos de nós não têm sportv, nem DVD, nem roupa nova, nem ténis caros, para poder estar sempre presente nas cores do clube que ama. Eles nem sonham como o dinheiro tem de dar para tudo. Eles não sabem o que é "combater" a família, os amigos e o namorado/a que todos os dias nos criticam por este nosso modo de ser. Eles não sabem que muitas vezes chega o Verão e sobram poucos dias para gozar porque foram trocados por jogos à Segunda, à Quarta ou à Sexta numa fidelidade ao clube que eles nunca saberão. Eles não sabem que tantas vezes gastamos o que não temos para estar em situações adversas e ver o nosso emblema na lama. Eles não sabem. Eles não sabem o que é estar iminente a descida de divisão e continuar a acreditar. É como levar 2 tiros nas 2 pernas e tentar andar, porque tem de ser. A raiva agoniza, mas tem mesmo de ser. Eles não sabem nem sentem a FÉ com toda a força e irracionalidade. Assim como o religioso que perante um tsunami não deixa de acreditar em Deus, também nós resistimos sempre à falta de resultados. Eles não sabem que carregamos a FÉ dos que já não acreditam. Eles não sabem o que é ouvir dos “aveirenses” que o clube devia estar na 2ª divisão, receber olhares de complacência e ver “aveirenses” (?) envergonhados. Só que nós não nos envergonhamos. Nunca nos envergonhamos do nosso clube. Nem da cidade. Eles não sabem, nem se lembram das faixas que lhes dedicámos, das palmas de encorajamento, dos gritos de incitação, do ultrapassar o nosso orgulho para lhes dar sempre e sempre apoio e confiança num futuro melhor. Porque nós não sabemos mas temos esperança que reconheçam o nosso sacrifício e entrega por aqueles que não sabem amá-lo. Mas eles não sabem, nem nunca lutaram por quem os apoia. Eles não sabem que tantas e tantas vezes tolerámos a letargia geral... Em nome de um clube, dum emblema, da nossa cidade. Em nome de uma raiz, de um sentimento. Mas eles não sabem, nem entendem. Eles não sabem que nós fingimos não saber que o clube “deixa-se” ser "uma ponte para a outra margem...". Eles não sabem que nós sabemos que eles próprios já não acreditam neles próprios. Eles não sabem nem sonham que não paramos de cantar quando o clube perde e que suportamos a penitência das derrotas com uma paciência heróica. "Porque nós sabemos que o sonho é uma constante da vida tão concreta e definida como outra coisa qualquer. Eles não sabem, nem sonham, que o sonho comanda a vida. Que sempre que um homem sonha o mundo pula e avança como bola colorida entre as mãos de uma criança."
Cristina Vilarinho
(Sócia SCBM e UAN)
5 comentários:
Parabéns, Cristina
Texto digno de uma beiramarense que sabe, de facto, o que é sentir o Beira-Mar.
Cumprimentos com a devida vénia de total admiração,
Sérgio Loureiro.
Infelizmente o texto da Cristina é puramente verdade, quantos de nós nao contam os centimos para estar presentes em todos os jogos e como recompensa recebemos o que ? Um virar de costas ou um simples pessimo resultado ...
É pena os jogadores nao sentirem o Beira Mar como muitos adeptos o sentem ...
Não é necessário comentar, limito-me a sentir o texto. Está grandioso!
Estives-te em grande Cristina ;)
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Simplesmente Lindo!
Eu também acho que está um texto mágnifico! Só podia ter saído da Cristina! :)
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